Tecnologia dentro da Casa


Soluções para automatização de residências, que antes eram coisa de filme de ficção científica, já são realidade. Veja aqui o que você já pode ter em sua casa.

Por Roseli Andrion, revista Video & Som, 
edição de fevereiro 2005


Se você é daqueles que sempre sonhou em ter uma casa que “fale e faça café”, comemore. A tecnologia atual permite ter um “lar-doce-lar” que parece ter saído diretamente do famoso desenho animado Os Jetsons. A boa notícia, nesse caso, é que o futuro não está apenas na tela do TV. Ele já chegou. E está, literalmente, invadindo os lares.

                        Conhecer todas as possibilidades é difícil: a imaginação é o limite. “É um universo quase infinito”, comenta o engenheiro José Roberto Muratori, presidente da Associação Brasileira de Automação Residencial (AuReside). Tudo depende da sua criatividade (e da capacidade do seu bolso) e da disponibilidade do construtor - que geralmente é bem flexível. E pode até ajudar a melhorar a vida de quem tem limitações. Com tecnologias de comando de voz, por exemplo, deficientes e idosos podem se tornar mais independentes.
                        É aí que entra o projeto. “O primeiro passo é descobrir o que o cliente quer e do que ele precisa”, destaca o engenheiro Fabio Oliveira, diretor da Future House, uma empresa carioca especialista em criar casas inteligentes. Oliveira comenta que, mais do que ser recheada de tecnologia, uma casa inteligente tem de ser muito bem planejada. “Deve ter um projeto arquitetônico agradável e que leve em consideração o bom aproveitamento dos recursos naturais.”
                        Além disso, é fundamental que os itens tecnológicos não sejam conflitantes nem redundantes entre si. “O projeto não pode ser agressivo ou invasivo. É essencial que haja uma boa interação entre os moradores e os sistemas.” Afinal, a tecnologia tem de facilitar o dia-a-dia dos moradores, não dificultá-lo. Se for para tornar o cotidiano da família complicado, melhor não investir num projeto desse porte. Parte do planejamento é garantir que os ambientes sejam aconchegantes. “A aparência deve ser simples para não assustar o usuário e amigável para que ele tenha vontade de usar os sistemas”, pondera Oliveira.
                        Ele lembra de uma cliente que estava cansada de operar oito diferentes controles remotos. “Havia ótimos produtos na casa, mas era bastante cansativo se revezar entre os controles.” Depois que “transformaram” todos aqueles controles em apenas um, a cliente passou a interagir mais com o sistema. “Ela ficou tão satisfeita que beijou nosso programador. E ele ficou mais satisfeito ainda”, diverte-se.
                        E mesmo que você não saiba o que gostaria de automatizar, pode investir na infra-estrutura. Esse é o principal item da casa inteligente. Para que cada um dos equipamentos seja controlado por um sistema de computador, é preciso que eles estejam conectados a uma rede. “Quando se faz essa infra-estrutura ainda durante a construção, o preço varia de 2% a 5% do custo total da obra”, comenta Muratori. “Depois, é só ir agregando os itens de acordo com a necessidade ou a disponibilidade”, completa Oliveira, da Future House. Nessa etapa, os gastos vão depender de quais equipamentos serão instalados.

Cabeamento Estruturado

                        Segundo Muratori, criar o conceito de rede na casa é prepará-la para o futuro. Afinal, a central que receberá todos os equipamentos é o principal item do projeto. “É por meio dela que os produtos elétricos serão agregados ao sistema. E uma vez automatizados, podem ser controlados à distância”, diz. O cabeamento estruturado é o principal responsável por essa revolução. “Trata-se de um cabo bastante versátil que pode ser usado em redes de computador, sistemas de telefonia e projetos de áudio e vídeo”, explica Oliveira da Future House.
                        Há 15 anos, por exemplo, construíam-se casas com apenas uma tomada para o telefone - que ficava na sala da residência para ser usado por toda a família. Algo impensável hoje. “Em projetos de casas inteligentes, temos de imaginar como serão as residências daqui a cinco anos e até que tipo de equpiamentos - que ainda não existem hoje - estarão à disposição. Se as casas não estiverem preparadas para eles, será uma grande decepção”, destaca o engenheiro Günter Albrecht, da Ideal Home, empresa especializada em projetos de casas inteligentes.
                        Tudo o que você acha que é sonho, pode se tornar realidade numa casa automatizada. Começa já na porta de entrada. Quem é da turma dos esquecidinhos vai adorar a fechadura: ela elimina de vez a chave comum. É só cadastrar as impressões digitais que vão servir para abri-la. E dá, até, para selecionar uma de emergência: em situações extremas, é só usá-la para que o socorro venha em seguida. Depois que a porta for aberta, para não levantar suspeitas.
                        Uma vez dentro de casa, o ambiente se adapta às suas preferências automaticamente. Depois que você usou o dedo para abrir a porta, todo o sistema da casa fica alerta. De cara, um banco de dados reconhece que foi você quem chegou e ajusta as luzes e o som ambiente para agradá-lo. Se houver outros moradores na casa, cada um deles terá sua própria “ficha” cadastrada no sistema. “Daí, define-se uma hierarquia para que não haja conflito caso todos os moradores estejam no local”, explica Muratori. Vale ressaltar que essas configurações podem ser alteradas a qualquer momento.
                        Sua primeira providência quando chega da rua é tomar um banho? Então vá para o quarto e prepare-se para o ritual. Depois de ajustar a iluminação ao seu gosto, o sistema tratou do seu relaxamento. Se tiver banheira em casa, a água, na sua temperatura preferida, já está enchendo o recipiente. Se tiver uma ducha no banheiro, ela pode ser programada para ser acionada automaticamente assim que você entrar no box.
                        Depois do banho, nada melhor do que assistir ao jornal - ou ver um filme. Quando chegar à sala, o sistema pode, automaticamente, configurar-se para que você apenas relaxe e veja sua atração preferida. Assim, as persianas serão fechadas, a luz será diminuída gradativamente e a poltrona será reclinada. Enquanto isso, claro, o fogão elétrico ou o microondas já foi acionado: uma bebida ou uma comidinha quente está sendo preparada para você lá na cozinha.
                        Ah, e não precisa nem se preocupar com o cachorro: ele já recebeu água e refeição. Sua esposa e as crianças não serão automatizadas - o que, aliás, é ótimo. São eles que garantem os abraços e beijos que você recebe.
                        Para saber o que está acontecendo em outros ambientes da residência, basta apertar um botão para que o TV sintonize as imagens do circuito interno. Não quer apertar botões? Use um comando de voz. “Um dos nossos clientes tem em casa uma recepcionista virtual, que mora no TV de plasma. Tudo que ele quer, pede a ela. E ela executa”, conta Oliveira, da Future House. Ele ressalta que, além de atender aos “preguiçosos”, os sistemas de comando de voz são bastante úteis para deficientes ou pessoas com limitações físicas. “Permitem uma maior independência.”
                        Se você é um inveterado colecionador de charutos, ficará feliz de saber - e ver, na tela do TV - que suas preciosidades estão sendo mantidas em uma sala com temperatura controlada. Já para evitar variações bruscas de temperatura dentro de casa, você pode incluir nas persianas um sensor que garanta seu fechamento quando a velocidade do vento atingir um determinado nível. Enfim, se algo o preocupa, basta transformar o sistema para que seja controlado de forma totalmente automática.

Categorias

                        Basicamente, as opções de automação podem ser divididas nas categorias entretenimento, segurança e telecomunicações. No grupo de entretenimento são encontrados os equipamentos de áudio e vídeo. No quesito segurança está o circuito interno de TV e o monitoramento externo da casa usando câmeras de vigilância. Já o item telecomunicações agrupa todo o sistema de telefonia e comunicações (que inclui a Internet).
                        Tudo isso deve ser integrado para funcionar em conjunto. “Um sistema usa recursos do outro e a integração é fundamental”, diz Muratori, da AuReside. Assim, é possível, por exemplo, sempre que alguém tocar a campainha, receber a imagem em qualquer aparelho de TV da casa. “Então, é só abrir a porta, remotamente, para que o visitante entre.” Outra opção: ligar as câmeras de vigilância espalhadas pela residência diretamente na Internet e acompanhar o dia-a-dia do local de qualquer computador conectado à Web.
                        Mesmo aquelas tecnologias que ainda estão despontando - como as redes sem fio - são previstas nos projetos.  “Elas ainda são um pouco instáveis e sofrem bastante interferência, mas certamente serão vedetes dentro de alguns anos”, avalia Muratori. “Daqui a um tempo, vão substituir muitos fios por aí”, concorda Albrecht, da empresa Ideal Home.
                        Já parou para pensar que para desencadear todo o processo de “adaptação” da casa às suas preferências você só precisou colocar a impressão digital na fechadura? Foi essa a ação responsável por todas as demais. Uma vez programado o sistema, apenas um toque é ncessário para que tudo ao seu redor se ponha a satisfazer os seus desejos.

Cérebro do sistema

                        Quem controla tudo é um computador, instalado discretamente na sala (ou onde o morador preferir). Sempre ligado, é o responsável por enviar os comandos para os controladores digitais de automação - sejam eles recebidos diretamente do sistema (programação prévia), nos interruptores, via telefone ou pela Internet. E são eles os responsáveis por transmiti-los aos equipamentos elétricos que comandam.
                        E não é só isso. Se você quiser chegar à sua casa e encontrar a água quente para preparar o chá, por exemplo, é só ligar. Isso mesmo: uma simples chamada telefônica (de um aparelho de telefone fixo ou móvel) envia um comando para que o fogão elétrico aqueça a água que está na chaleira.
                        No inverno, uma ligação pode determinar que o piso do banheiro seja aquecido (assim você o encontrará quente quando chegar e não terá de pisar no chão frio) ou que o sistema de ar-condicionado da casa espalhe pelos ambientes uma temperatura aconchegante.
                        Dormir numa casa inteligente é bastante relaxante. Se você quiser ler um pouco, pode programar a cama reclinável para um ângulo que permita ficar sentado. Quando decidir adormecer, um simples comando de voz adapta a cama para sua posição preferida, diminui a iluminação, fecha as persianas e ajusta o ar-condicionado. Melhor ainda é acordar no dia seguinte e saber que viver numa casa inteligente não é mais um sonho.

Para saber mais

AuReside - Ass. Bras. de Automação Residencial
www.aureside.org.br


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