O Integrador e a construção civil inovadora

ose Roberto Muratori, 19/3/2005


(Publicado na revista Casa Conectada no. 3)

Já destacamos em artigos anteriores algumas das principais atividades do integrador de sistemas residenciais, este novo profissional que está somando seus conhecimentos ás equipes multidisciplinares de projeto. Neste artigo , vamos falar um pouco mais sobre quem é este integrador, qual sua formação, quais suas perspectivas e como está a aceitação de seu trabalho no momento

Recentemente, tivemos acesso à planilha dos projetistas envolvidos num novo empreendimento que está sendo lançado em São Paulo. Trata-se de um condominio residencial composto por 3 torres, num total de mais de 300 apartamentos. A lista começa com o escritório de arquitetura, passa pelo paisagista, pelo luminotécnico, pelo projetista de instalações elétricas e hidráulicas, de estruturas e assim vai adiante, num total de 18 escritórios de projeto ! Dentre estes 18, está lá também um escritório dedicado à Automação residencial .

Qual o papel deste escritório ? Em primeiro lugar, vamos lembrar que esta especialidade (Automação residencial) “entrou” na lista sem tirar o espaço de nenhum outro projetista ! Portanto, é um novo espaço, que está sendo conquistado e consolidado. E, se existiu o espaço , é porque surgiu a necessidade...

Um projeto deste porte envolve especialistas na área de elétrica, de segurança, de iluminação, de áudio e vídeo, para citar apenas alguns. Talvez há alguns anos atrás, estes projetistas conseguissem fazer seu trabalho quase sem interferir com os demais. Além disto, todo o capitulo de telecomunicações (rede de dados, telefonia, acesso à Internet, TV) merece uma consideração especial, pois normalmente tem sido relegado a um segundo plano nos projetos de instalações convencionais.

Portanto,  a verdade é que hoje o aspecto da integração de sistemas é crucial e os especialistas estão cada vez mais dedicados aos temas de seu conhecimento. Por isso, surge a necessidade de um profissional generalista, o integrador, que absorve as características do projeto de cada um e estabelece as ligações entre os diversos sistemas. Isto, tanto na infra-estrutura a ser criada, quanto na especificação de equipamentos e interfaces.

Este exemplo revela o grau de complexidade que os projetos inovadores da construção civil estão assumindo. Quando existe a preocupação com eficiência e modernidade , surge a necessidade de integrar os projetos de tecnologia. Assim, vemos cada vez mais a presença do integrador nestes projetos, oferecendo sua contribuição essencial ao êxito do empreendimento.

Como deve ter ficado claro, o integrador é normalmente um profissional generalista, que usa abordagem sistêmica. Sua formação mais freqüente é em engenharia, mas já temos bons exemplos de integradores com origem na arquitetura. De toda maneira, mais do que a formação, o que deve caracterizar um bom integrador é a capacidade de trabalhar em equipe, de contribuir positivamente, de gerenciar conflitos e, acima de tudo, de estar disposto a quebrar os paradigmas dos projetos convencionais !

Neste quadro, podemos prever um futuro intenso ao integrador, tanto em novos desafios quanto em demanda pelos seus serviços. O modelo de negócio atual da construção civil ainda não assumiu definitivamente este enfoque sistêmico, mas sentimos que é apenas questão de tempo. O esforço dos “integradores pioneiros” já está se fazendo sentir nos números conquistados. Recente pesquisa encaminhada pela AURESIDE  mostra uma tendência fortemente positiva na adoção da integração de sistemas nos novos empreendimentos, em todo o País. Os números deste levantamento e os caminhos que eles apontam serão objeto de nossa próxima coluna.

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