Integrador de Sistemas Residenciais : um Novo profissional

Jose Roberto Muratori, 19/3/2005


(Publicado na revista Casa Conectada no. 1)

Ao se falar em Automação Residencial, quatro anos são quase uma eternidade... Lembro agora nossos primeiros passos, quando, junto com alguns colegas, decidimos criar a AURESIDE (Associação Brasileira de Automação Residencial) em fevereiro de 2000... Na verdade a idéia de uma Associação deste tipo naquele momento parecia precoce demais, acredito que nem mesmo nós fundadores tivéssemos certeza do que pretendíamos. Era mais uma união no sentido básico de juntar forças e buscar inspiração e ajuda mútua...

Nos primeiros meses ainda continuávamos incertos sobre qual seria a real missão da AURESIDE. Visitamos empresas fornecedoras de tecnologia, esboçamos os primeiros cursos e treinamentos, participamos de um projeto, então pioneiro, de Casa Inteligente na extinta feira Domótica. No entanto, levamos alguns meses para perceber qual seria de fato o ponto central de nossa atuação. E isto acabou acontecendo quando tentávamos sintetizar os principais sistemas envolvidos nos projetos de Automação Residencial. Deste estudo, resultou o diagrama  que, esquematicamente, representa a integração dos sistemas de tecnologia  uma casa.

A partir deste desenho, que acabou sendo apelidado de “sistema solar” dentro da Associação, pudemos efetivamente visualizar nossa missão básica: sedimentar e divulgar o conceito de integrador de sistemas residenciais.

Como se pode observar, num projeto atual de residencias, existe uma ampla gama de possibilidades para uso da tecnologia. E se temos a possibilidade de projetar tudo isto de uma forma  integrada, com certeza alcançaremos muito mais eficiência, economia e segurança. Pois vamos evitar retrabalhos e adaptações ao final da obra, vamos diminuir os prazos de construção, vamos racionalizar a infra-estrutura de dutos. E, com certeza, vamos facilitar e acelerar a instalação dos equipamentos, além de garantir facilidade de upgrades e de manutenção.

Se isto parece agora óbvio, nem sempre foi assim... podemos observar que mesmo em mercados mais evoluídos (como nos EUA por exemplo) este tipo de projeto integrado , unindo automação e utilidades com redes de dados, voz e imagem é fenômeno recente também. Ainda se discute o nome a ser dado a este profissional, alguns dizem electronic architect , outros tratam por system integrator . Seja como for, sua presença numa equipe de projeto já é fato irreversível. E, neste sentido, aqui no Brasil estamos nos sintonizando com as tendências mundiais.

Na realidade brasileira, temos sentido que o conceito de integrador vai ainda mais adiante. Pois além de projetar e de conferir validade à infra-estrutura de uma residencia, o integrador tem sido chamado a participar ativamente da contratação dos equipamentos e serviços e da implantação dos sistemas quando a casa fica pronta. E este integrador, se quiser ver o seu projeto tornado realidade, não pode deixar de participar desta etapa. Em primeiro lugar, porque nem todas as empresas estão habilitadas e preparadas para fazer suas instalações baseadas num projeto integrado e, portanto, precisam da presença do responsável. E, em segundo lugar, porque a presença do integrador garante que os parâmetros de desempenho previstos em projeto com o seu cliente serão atendidos.

Como vemos, é uma atividade inovadora e cheia de desafios. E, a melhor parte: este profissional está cada vez mais sendo reconhecido e procurado pelo mercado de construção civil ! Portanto, uma ótima perspectiva para profissionais sérios e que gostam de se manter atualizados em tecnologia. Nas próximas edições, vamos detalhar mais as atividades de um integrador e discutir seu posicionamento em relação aos outros especialistas envolvidos num projeto residencial.

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