Casa "inteligente" precisa ter um cérebro

Folha de SP, setembro de 2004

Central de automação comanda funções e cabeamento estruturado ajuda a executá-las simultaneamente
Para centralizar o controle de uma míriade de funções automatizadas, é preciso contar com um "cérebro". Na casa, ele toma a forma da central de automação.
Ela é suficiente para comandar as tarefas. Mas, para interligar comandos (acionar ao mesmo tempo vários aparelhos, como ar-condicionado, som e luzes), o cabeamento estruturado, ligado à central, simplifica as instalações.
A central de automação é como o processador central de um computador (CPU). O sistema pode crescer aos poucos, agregando novas funções que inicialmente não foram previstas. Uma central custa de R$ 35 mil a R$ 40 mil.
Há duas formas de organizar a automação: centralizada ou descentralizada. Na primeira, o maestro da orquestra é a unidade central, que acumula todos os pontos de comando e de monitoramento da instalação. "Uma falha resultaria na paralisação do sistema", lembra a engenheira Vanessa Pummer Maldonado.
O sistema descentralizado funciona como uma rede de computadores. As pequenas unidades de processamento espalhadas pela casa também transmitem e recebem informações entre si. Essa opção reduz o gasto com cabeamento e torna a instalação mais simples, rápida e barata, sem traumas ao expandir o sistema.
Para reduzir ainda mais os custos com cabeamento, a central deve estar o mais perto possível do quadro elétrico e dos equipamentos controlados por ela.

Cabeamento estruturado
Com o cabeamento estruturado, um só cabo corre em pontos de distribuição (espelhos ou tomadas), conectando as infra-estruturas de telefonia, dados, TV, som e segurança.
O problema, diz o engenheiro Luis Fernando Falguera, 35, é que o mercado ainda não conseguiu desenvolver esse produto. O modelo que mais se aproxima disso é o CAT6, confiável em pequenas distâncias, mas que apresenta dificuldades na transmissão de freqüências mais altas, como as de alguns canais de TV a cabo.
A partir do gabinete que abriga os módulos de distribuição de tarefas, os cabos são ligados aos espelhos distribuídos pela casa.
Muitos empreendimentos já são entregues com automação mínima e cabeamento estruturado. "Os primeiros projetos são simples e precisarão de adaptações para novas tecnologias", critica Helio Sinohara, diretor de desenvolvimento da Future House.

Custos
Projetar uma casa "inteligente" não é caro. Os custos de projeto, de programação e de circuitos e cabos vão de 2% a 3% do valor do imóvel. O que pesa é o preço dos equipamentos eletrônicos.
"Já gastei R$ 100 mil em uma casa de 500 m2, sem contar os aparelhos, orçados em mais US$ 30 mil [R$ 84 mil]", aponta a arquiteta Flávia Ralston. "Caminhamos para a automação total. Mas muitas pessoas ainda se excedem nos recursos e acabam frustradas", diz a arquiteta Bianka Mugnatto.
Se a casa ainda está no papel, a arquiteta Sandra Perito, 44, recomenda instalar caixinhas, espelhos cegos e conduítes de uma polegada a partir da central, além de prever carga adicional no quadro de força para garantir o funcionamento de mais periféricos, como uma banheira, por exemplo.
"O sistema é seguro. Mas é preciso caprichar nos aterramentos, nos protetores de surto (contra raios) e nos "no-breaks'", diz José Roberto Muratori, presidente da Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial).


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