As Multiplas Atividades de um Integrador

Jose Roberto Muratori, 19/3/2005


(Publicado na revista Casa Conectada no. 2)

No artigo da edição anterior falamos sobre o surgimento de um novo profissional no cenário da construção civil, o Integrador de Sistemas Residenciais. Procuramos justificar sua presença na equipe multidisciplinar que planeja, projeta e implanta os novos imóveis residenciais. Mostramos também que esta é uma tendência mundial e que no Brasil já estamos constatando algumas particularidades na sua forma de atuar.

Neste novo artigo, pretendemos desenvolver o tema com mais profundidade, analisando as diferentes vertentes no trabalho do Integrador. Este profissional tem, primariamente, dois tipos de clientes no mercado de Automação Residencial: o usuário final da casa e o incorporador / construtor. Neste ultimo caso, ele normalmente é chamado para participar de projetos condominiais e inicia seu trabalho sem conhecer o futuro usuário do imóvel, uma vez que este ainda nem foi comercializado.

Portanto, temos duas abordagens muito diferentes. E estas diferenças já começam a aparecer desde os primeiros contatos, quando o Integrador deve expor ao seu cliente os benefícios da automaçao na tentativa de conquista-lo. Quando trata com o usuário final, muitas vezes sobressaem os argumentos de caráter subjetivo, diretamente ligados ao conceito de qualidade de vida do futuro morador e de sua família. Para alguns, a avaliação dos benefícios prioriza a segurança, para outros pode ser o entretenimento ou a mera sofisticação trazida pelos sistemas automatizados. Nesta abordagem, muitas vezes o fator custo é menos relevante do que estes  mencionados, priorizando a emoção envolvida com a nova moradia

Já a coisa muda de figura quando o integrador se defronta com um incorporador. Este, antes de tudo, é um investidor que busca retorno de suas aplicações no mercado imobiliário. É de se esperar que ele raciocine muito mais com a lógica do que com a emoção...portanto, se quiser ser bem sucedido, o integrador vai buscar outros argumentos para convence-lo. Dificilmente terá sucesso se não levar para a negociação planilhas de custos detalhadas e informações claras sobre condições de fornecimento, instalação e suporte técnico. Alem disto, deve demonstrar sua capacidade de trabalhar em equipe, respeitando cada um dos especialistas envolvidos no projeto, desde o arquiteto, o pessoal encarregado da venda do empreendimento até o corpo técnico de projeto e de obra

As diferenças prosseguem depois desta etapa inicial quando se vende a idéia. O projeto integrado de automaçao também parte de premissas bem diversas: ao desenvolver um projeto para uma família especifica, é possível conhecer com detalhes seus hábitos, sua disponibilidade financeira, seus gostos, seus prazos, enfim suas particularidades em relação ä tecnologia. O Integrador pode, assim, detalhar uma proposta bem adequada, que vai de encontro a todas as necessidades relatadas pelo seu cliente

Mas, como desenvolver um projeto deste tipo para um condominio ainda a ser construído, onde nenhum morador futuro é conhecido ? É um grande desafio fazer um projeto genérico, tão aberto que possa contemplar todos os diferentes tipos de usuários ! Como projetar esta infra-estrutura aberta ? Quais parâmetros levar em conta ? Como ter certeza que todas as alternativas possíveis foram previstas ?

Para responder estas perguntas, vamos olhar detidamente o que está acontecendo no mercado “real”.

De um lado, percebemos a existência de empresas que comercializam produtos de automação desenvolvendo projetos para condomínios e, neste caso, direcionam seus projetos para que os seus equipamentos  sejam especificados no final. Neste caso, existe o risco do cliente final não aceitar esta solução passivamente e, por sua conta, sair pesquisando outras alternativas. O morador também pode entender que sua liberdade de escolha foi prejudicada e, desta maneira, reduzir a percepção de beneficio que a tecnologia trouxe á sua moradia

Outra tendência, que nos parece mais eficiente, é a participação isenta do integrador em todas as fases do projeto. Ele acompanha desde a conceituação do empreendimento, oferecendo sugestões que passam a ser incorporadas ao projeto. Segue de perto o período de construção, participando efetivamente junto com a equipe técnica. A longo deste período, consegue conhecer melhor as características do empreendimento e do seu futuro publico morador. Desta forma, estará apto para atender este morador na época da entrega da casa, oferecendo-lhe “pacotes” de tecnologia previamente formatados de acordo com o projeto de infra-estrutura implantado.

Assim, cada morador poderá “customizar” a sua residencia conforme lhe convenha, seguindo a orientação do mesmo profissional que desenvolveu o projeto e esteve presente em cada etapa da construção. Esta fórmula está recebendo uma aceitação crescente das construtoras, já que garante um atendimento especializado aos seus clientes, sem que ela, construtora, precise se envolver em detalhes que não fazem parte de sua principal atividade. Ao final do processo, o cliente percebe de maneira muito positiva o esforço da construtora em lhe oferecer não só um projeto inovador , mas também um acesso tranqüilo e conveniente às diversas tecnologias.

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