9 de jan de 2018

Utilizando a tecnologia para atender os novos conceitos de moradia

Autor: Eng. José Roberto Muratori, Diretor Executivo da AURESIDE

Publicado na revista Lumiere Electric numero 236, dezembro de 2017


O setor da construção civil no Brasil sofreu intensamente os efeitos da retração na economia principalmente nos últimos dois anos. Com isso, o mercado imobiliário tem se ressentido de novos lançamentos nas áreas urbanas mais intensamente povoadas. Se foi um período difícil para a produção, por outro lado tem sido efetivo no estudo das novas tendências no conceito de moradias urbanas. Acompanhamos diversos eventos e o surgimento de relatórios que confirmam algumas constatações que até pouco tempo atrás ficavam apenas no terreno especulativo.

E quais seriam estas constatações?

Uma tendência de produzir apartamentos com espaços privativos cada vez menores, compensada pela oferta de áreas comuns muito equipadas. Além disso, localizados em regiões que contam com facilidade de transporte público e ampla oferta de serviços nas proximidades.

O surgimento de empreendimentos multiuso se encaixa também nesta tendência, ou seja, a opção crescente de concentrar moradia, trabalho e lazer no mesmo espaço físico, reduzindo a necessidade de deslocamentos e consequentemente mais tempo útil disponível.

Ainda mais avançado, o conceito de coliving, uma alternativa que surge e que pretende derrubar, além de paredes, a crise da falta de espaços físicos e os ideais de individualização e desperdício. Este movimento vem se propagando através de pessoas que nos levam a refletir se ainda vale a pena manter uma moradia particular, com altos gastos e pouca socialização.

Além destas tendências genéricas, surgem outras derivações focadas em nichos específicos. As mais evidentes têm sido aquelas direcionadas às moradias para a terceira idade, embasadas no conceito da “economia da longevidade”. Outro nicho em estaque seria dos imóveis destinados a uso temporário, exemplificado pelos usuários de aplicativos como o AirBnb. Alguns novos projetos têm levado em conta o uso misto, ou seja, moradores habituais dividem as áreas comuns de seus condomínios com moradores eventuais, de passagem.

A evidencia cada vez mais presente destas tendências no conceito de “morar” estão afetando os novos lançamentos do mercado imobiliário em escala crescente. Portanto, com a esperada retomada no ritmo das novas construções temos visto que muitos projetos estão contemplando estas características, que devem se tornar comuns num horizonte de três a cinco anos.

Mas não só os novos empreendimentos estão se ajustando às mencionadas tendências: muitos imóveis atuais precisam passar por urgentes retrofits principalmente em suas áreas comuns para se adaptarem à novas condições de uso.

E é neste ponto que pretendemos justificar como as novas tecnologias de conectividade e de automação podem ser extremamente uteis (e até mesmo inevitáveis) para atender os desafios crescentes de controles sobre a edificação e sobre as pessoas que dela se utilizam (moradores, usuários e prestadores de serviços).

E, embora nosso foco neste artigo sejam as edificações de uso para moradia, podemos deixar claro que estas mesmas tecnologias podem ser empregadas para tornar mais eficientes e seguras também as edificações corporativas ou mesmo aquelas de uso especifico (como hotéis, hospitais, templos, escolas e similares).

Nas áreas comuns dos condomínios destinados a moradia, com a quantidade cada vez maior de moradores e usuários circulando e a variedade de ambientes e de serviços distintos envolvidos, a necessidade de sistemas automatizados e informatizados é evidente.

Vejamos alguns exemplos:

1) Como controlar acesso de pessoas em ambientes de uso restrito como salas de ginastica, sauna, quadras e piscinas? Como liberar o uso e cobrar pelos serviços opcionais oferecidos dentro do condomínio, tais como lavanderia, limpeza, uso de salão de festas, manutenção, locação de veículos e de ferramentas e assim por diante?

2) Como garantir que pessoas desconhecidas estejam autorizadas a entrar e permanecer no condomínio, eventualmente não somente como visitantes, mas como um morador temporário autorizado pelo proprietário de uma unidade? E, neste caso, quais serviços e ambientes podem ser liberados para o seu uso?

3) Como orientar moradores e visitantes com relação à localização e às condições de uso dos diversos ambientes e equipamentos do condomínio sem aumentar o numero de colaboradores da equipe de gestão?

4) Como controlar os serviços da equipe de limpeza e manutenção e atribuir cobrança quando devido?

5) Áreas comuns maiores e com maior número e variedade de ambientes exigem mais equipamentos, consomem mais energia e insumos e, portanto, precisam de maior controle sobre o programa de manutenção e sobre as medições de consumo

6) Ambientes de intensa circulação de pessoas exigem mais cuidados com segurança e acessibilidade. Além disso as pessoas cada vez mais exigem cobertura de redes sem fios para se manterem conectadas nestas áreas, uma vez que executam diversas atividades antes feitas em casa em ambientes agora coletivos (offices compartilhados, academias de ginastica, salas de projeção e de jogos, etc.)

Listamos acima apenas algumas das novas necessidades que estão despontando.

Lembrando que sistemas “tradicionais” de Automação Predial já podem ter sido solicitados anteriormente para tratar de itens mais ligados à infraestrutura da edificação, tais como a iluminação das áreas comuns, o sistema de bombas hidráulicas, geradores e outros neste contexto.

Então vemos que estamos precisando urgentemente incluir sistemas de comunicação e controle nas áreas comuns, tanto para uso da gestão do prédio como para aqueles que dele se utilizam para nele morar, trabalhar ou gozar do seu lazer. E quais seriam então as tecnologias que mais se adaptam a estas necessidades?

1) Em primeiro lugar, precisam ser fáceis de instalar. Fazer mudanças na parte construtiva, na instalação elétrica e na arquitetura do local são situações muitas vezes proibitivas em condomínios existentes

2) Precisam ter interfaces intuitivas para os usuários. A maioria das situações não envolvem gestores profissionais, mas pessoas comuns e seus smartphones, que podem ser utilizados para liberar acesso, receber cobranças, alertas ou avisos

3) Precisam ter um elevado grau de interatividade. Muitas funções dependem de decisões e soluções rápidas e seguras

4) O custo de implantação deve ser acessível pois os condomínios não dispõem normalmente de orçamento disponível para este tipo de contratação

5) A sua atualização e manutenção tem que ser simples e, de preferência, feita à distância pois a princípio não existe uma equipe de gestão profissional presente na edificação para prestar este serviço

6) De preferencia devem gerar bancos de dados com as informações de uso diário coletadas. Isto pode ser usado para aumentar a eficiência da edificação e para comparativos de desempenho, inclusive com edificações similares

Para atender estas demandas acima listadas, existem sistemas de desenvolvimento recente que utilizam o conceito de Internet das Coisas, de Inteligência Artificial, de gestão na nuvem (cloud) e de Big Data. Este conjunto de tecnologias têm proporcionado produtos de simples instalação, largamente independentes mas interativos com as redes de dados e com a Internet, responsivos e que geram grande quantidade de dados como resultado de suas operações de gestão e controle.

Além disso, por se tratar de hardwares de custo mais baixo e soluções baseadas nos softwares e aplicativos, podem ser vendidos através de receitas recorrentes (tarifas mensais), como serviço, o que barateia e viabiliza seu uso nos condomínios. O gerenciamento dos sistemas normalmente é feito na nuvem, reduzindo ou até eliminando a necessidade de manutenção local.

Em resumo, estamos falando de soluções baseadas em conectividade, envolvendo processadores, atuadores e sensores diversos, além da a interação com diversos protocolos (na sua maioria wireless). Também utilizam as interfaces mais simples e de uso amplo (como o próprio smartphone do usuário, por exemplo). Estas soluções estão prontas para serem especificadas, instaladas e prontamente utilizadas pelos gestores e moradores das novas formas de habitação.

30 de dez de 2017

Tendencias para 2018: A importancia das redes Mesh WiFi para residencias

Fonte: Android Headlines

Melhorar o desempenho do seu roteador wifi domestico já é uma  necessidade sentida por muitos  moradores. Mas com os produtos domésticos inteligentes assumindo um papel cada vez mais importante nestes dias atualizar seu roteador e passar para uma opção Wi-Fi em rede mesh (malha) parecer ser a solução idea

Um sistema Mesh WiFi tornou-se bastante popular neste ano que termina e isso é devido principalmente ao impulso oferecido pela indústria da casa inteligente. Você percebe que com um sistema WiFi de malha, a rede é capaz de suportar plenamente uma grande quantidade de produtos sendo conectados ao mesmo tempo, movendo-os de forma inteligente para a banda adequada (alguns trabalham em 2.4GHz e alguns funcionam melhor em 5GHz) e dando-lhes apenas Wi-Fi suficiente para mantê-los funcionando bem sem tirar a velocidade do laptop ou de outros computadores na rede.

O Mesh WiFi tem outras vantagens, além de ser capaz de suportar vários dispositivos sem experimentar velocidades mais lentas. O Mesh WiFi também oferece a capacidade de expandir sua rede e abranger toda a sua casa (ou escritório) com cobertura Wi-Fi. Esqueça de vez  aquele canto na casa onde não há WiFi disponível. Além disso, são modulares. Enquanto a maioria vem em um pacote de três, também há singles disponíveis para que você possa pegar um pacote de três e começar, mas depois pegar outro e adicionar à sua rede se precisar de um pouco mais de cobertura. A maioria dos pacotes de 3 cobrem cerca de 400 metros quadrados, então você provavelmente não precisará de mais cobertura). A cobertura alargada que a Mesh WiFi fornece é excelente para smartphones, laptops e tal, mas também funciona bem com produtos domésticos inteligentes, especificamente câmeras de segurança. Imagine que você tenha uma câmera de segurança lá fora, talvez mostrando sua varanda ou mantendo um olho em sua entrada. Se você estiver tendo problemas de cobertura com sua rede Wi-Fi, talvez você não consiga conectar a câmera. Mas com uma rede Mesh WiFi, você terá cobertura WiFi fora (na maioria dos casos, a menos que sua casa seja muito grande - mais de 400 m2), para que a câmera possa se conectar facilmente.

O que esperar então para 2018?

Podemos concluir que enquanto o controle de voz vai melhorar cada vez mais e será utilizado intensivamente nas casas,(onde a aprendizagem de máquina com a inteligência artificial vai de mãos dadas), a maior tendência para 2018 será o sistema Mesh WiFi. Já existem muitas ótimas opções no mercado, mas também hverá muito mais em 2018 (provavelmente). E vai ajudar a oferecer um WiFi melhor, mais estável e mais rápido, que é algo que todos vão adorar.

13 de dez de 2017

Automatizando Edificações Antigas: Retrofit com Tecnologias Wireless

Autor: Eng. Fernando Santesso, Diretor de Novos Projetos da AURESIDE

Publicado na revista Lumiere Electric, edição numero 235, novembro de 2017

O que é Retrofit?
O retrofit tem se tornado um termo cada mais comum no mercado imobiliário. O escasso número de terrenos, principalmente em grandes centros urbanos, aliado ao crescimento do valor do metro quadrado, tem imposto o uso de soluções para revitalização de edificações já existentes. Essa realidade já experimentada em outros centros urbanos do mundo vem movimentando o setor da construção civil e imobiliário no Brasil nos últimos anos.
Como conceito, o termo retrofit surgiu na América do Norte e Europa, e significa (em uma tradução livre) “adaptar ou atualizar algo antigo”, ou seja, substituir subsistemas específicos de um edifício que se tornaram obsoletos com evolução tecnológica ou mesmo com as novas necessidades expressas por usuários.
Geralmente, são realizadas atualizações nas instalações elétricas, hidráulicas e nos principais equipamentos instalados na edificação. Essas melhorias, além de modernizar a edificação, também podem contribuir para tornar o edifício ou condomínio antigo mais atrativo no mercado em relação às novas edificações.
Dentre essas atualizações a automação tem ganho destaque em conjunto com outros sistemas, como por exemplo: medição de consumo, energia alternativa, segurança e controle de acesso. Todos esses itens ajudam a dotar um maior valor econômico à edificação e contribuem para a redução de custos de manutenção e condomínio.


Como automatizar uma edificação antiga?
Implantar sistemas de automação em edificações antigas, no entanto, é sempre um desafio. A infraestrutura existente, na maioria das vezes, não comporta novas tecnologias. Logo, para que sejam atualizados os sistemas a edificação tem que passar por um processo prévio de obras civis, o que, em muitos casos, pode ser traumático aos usuários e donos desses imóveis.
Consequentemente, o primeiro passo para se obter êxito em um projeto de retrofit que envolva sistemas de automação é diagnosticar as reais condições e necessidades da edificação e seus usuários. É fundamental, portanto, contar com a consultoria de um profissional ou empresa especializada que aponte os itens a serem controlados e as soluções tecnológicas para sua implementação, a fim de facilitar todo o processo de retrofit.
Nesse contexto, o uso de tecnologias wireless como ferramentas de simplificação do processo de retrofit tem se tornado cada vez mais frequente. Essas soluções são um forte aliado para mitigar as necessidades de modificações, reduzir o impacto de intervenções e diminuir os riscos no processo de adequação e modernização de sistemas de um imóvel antigo.

O que são as tecnologias wireless?
Os dispositivos wireless para automação são elementos – controladores, atuadores, comandos e sensores - que utilizam o ar com meio de transmissão de informações, diferente dos sistemas de automação cabeado que trafegam seus dados através de cabos e assim demandam alterações mais profundas na infraestrutura da edificação.
Essas transmissões são feitas por ondas eletromagnéticas (Rádio Frequência – RF) e seu alcance depende das características do ambiente (barreiras, condicionamento, interferências e outros fatores) e da tecnologia envolvida.
Atualmente existem diversos padrões de comunicação sem fio, sendo alguns deles proprietários (não permitem a interoperabilidade de dispositivos) e outros abertos. Destacam-se no seguimento de automação de edificações os seguintes padrões de comunicação sem fio:


·         Wi-Fi: Sistemas que utilizam os diferentes protocolos IEEE de Ethernet convencional para fazer a comunicação dos dispositivos. São facilmente reconhecidos em dispositivos como access points e roteadores que propagam a internet dentro das edificações. Contudo, o número de dispositivos que se conectam a rede wi-fi tem crescido, sendo um dos grandes expoentes desse crescimento as câmeras IP (Internet Protocol). Além disso, outros dispositivos como sensores, atuadores e lâmpadas tem utilizado o padrão wi-fi para se comunicar.

·         Bluetooth: Padrão desenvolvido para a comunicação de curto alcance entre dispositivos e com baixo consumo de energia. No mercado de automação essa tecnologia é encontrada, principalmente, em dispositivos de controle de acesso para aplicação residencial.

·         ZigBee: Tecnologia wireless de comunicação desenvolvida para ter baixo consumo, baixo custo, segurança e confiabilidade. Encontrada em aplicações prediais, industriais e comerciais. Conta com uma ampla gama de dispositivos como atuadores, medidores, comandos, sensores, emissores e outros.

·         Zwave: Assim como o ZigBee o padrão Zwave apresenta baixo consumo e custo, além de segurança, confiabilidade e interoperabilidade de dispositivos. Também conta com um amplo espectro de produtos, porém a tecnologia nasceu e tem sua maior força em aplicações de automação residencial.

·         Padrões Proprietários: Contam uma gama variada de dispositivos para automação, porém, por terem um protocolo fechado, não permitem a comunicação com dispositivos de outros fabricantes.
Dada a variedade de tecnologias presentes no mercado, nota-se que diferentemente do que se tem propagado no mercado de tecnologia e automação, os sistemas wireless necessitam de um projeto cuidadoso para que possa funcionar corretamente, permitindo a comunicação, controle e gestão dos sistemas.

O que pode ser controlado com tecnologias wireless em uma edificação?
Potencialmente, todos os sistemas existentes em uma edificação podem ser controlados com os dispositivos de tecnologia wireless.
A diversidade de dispositivos wireless encontrados no mercado atual colaboram para que o processo de retrofit de sistemas com automação seja cada vez mais abrangente e dinâmico. É possível controlar, medir e gerir dados de sistemas hidráulicos, elétricos, iluminação, climatização, entretenimento e até mesmo segurança e controle de acesso com tecnologias wireless.
Evidentemente, quanto maior é a criticidade de um sistema dentro de uma edificação, maior deve ser o cuidado no uso de sistemas totalmente wireless. Por esse motivo, vale ressaltar mais uma vez a importância de uma análise crítica, técnica e imparcial para a tomada de decisão pelo uso de tecnologia wireless.

Respeitada essa condição, os dispositivos wireless são um instrumento poderoso e devem ser usados para transformar instalações obsoletas de prédios antigos em instalações modernas e eficientes, proporcionando agilidade no processo de retrofit.