Telemetria: o primeiro passo para a Eficiência Energética

Artigo de nosso Diretor de Projetos, Eng. Fernando Santesso
Publicado na revista Lumiere Electric 239




Se você não pode medir, então você não poderá gerenciar.” Erroneamente atribuída ao Dr. William Edwards Deming, um dos pais da área da qualidade, essa frase já foi usada muitas vezes em diversos contextos onde a gestão é essencial. Seja na área comercial, produção,manutenção, administrativo e outros, ter em mãos dados de desempenho e comportamento leva ao conhecimento mais profundo e à possibilidade de ações que aperfeiçoem técnicas e processos para se obter uma maior eficiência.

A eficiência energética em edificações certamente não foge a esse tema e à necessidade de se  conhecer o comportamento e desempenho energético do edifício. Nessa conjuntura, a telemetria tem se mostrado uma ferramenta fundamental no âmbito da gestão para redução de custos e eficiência energética. A aplicação dessa ferramenta tem se tornado cada vez mais comum dentro de Sistemas de Gerenciamento Predial (BMS), sendo um grande aliado dos sistemas de Automação e Controle para aperfeiçoar aperformance energética do edifício.

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Segurança de dentro para fora

Autor: George Wootton, diretor tecnico da AURESIDE
Artigo publicado na revista Audio & Video Design, edição 154 

A segurança cibernética de uma casa inteligente depende mais de boa informação e hábitos corretos que da própria tecnologia

A cada dia, surgem novos eletrodomésticos e gadgets que podem dar um “upgrade” em nossas casas, tornando-as mais “inteligentes”. É certo que, no Brasil, a compra desses dispositivos é um pouco mais complicada, sendo necessário recorrer a fornecedores não exatamente “autorizados” ou aproveitar viagens e trazer de fora. O resultado é que a febre de ter esses equipamentos inteligentes ainda não pegou. Mas um número crescente de consumidores sempre acha um jeito de ter esses brinquedos em casa. Alguns são bem conhecidos, como o Amazon Echo (também conhecido como Alexa). Mas sites de vendas online estão trazendo ao mercado brasileiro produtos “conectados” de marcas desconhecidas, vindos diretamente da Ásia e a preços muito convidativos. A oferta é grande, mas praticamente nenhum deles oferece um suporte adequado ou orientações para que o cliente consiga fazer uma instalação confiável e segura.

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A Amazon compra a Ring. E daí?


Autor: George Wootton - Diretor Técnico da AURESIDE

Todos conhecem a Amazon e alguns sabem que seu objetivo final é se tornar o canal de vendas mais completo que há. No Brasil, poucos conhecem a Ring (eu tive a oportunidade de testar uma de suas primeiras versões).

Quanto à Amazon, já vimos alguns passos da sua estratégia sem se tornar “o canal de vendas”. O Amazon Echo, com Alexa e preços convidativos, se tornou um assistente virtual de renome, auxiliando seus proprietários no comando de suas Casas Inteligentes. Ele comanda os equipamentos inteligentes, traz informações da internet e permite que seus usuários pesquisem e comprem online, usando o site da Amazon.

Também já vimos notícias sobre o Amazon Dash Button, um “botão” que, ao ser acionado, dispara a compra de um certo produto automaticamente. Assim, você pode ter em sua casa um desses botões programados para a compra de, digamos, açúcar, e ao ser acionado a Amazon já providencia a entrega da quantidade que você pré-determinou. Um outro uso deste botão é quando determinados fornecedores entram em acordo com a Amazon para usá-la como seu canal de distribuição e então dão de presente aos seus clientes o botão pré-programado para um determinado produto. Assim, ao invés de você procurar aquele imã de geladeira para pedir gás de cozinha, ligar para o fornecedor e esperar a entrega, você apenas aciona o botão e a entrega será providenciada.

Não podemos nos esquecer dos esforços da Amazon para a entrega mais rápida e econômica com o uso experimental de drones.

E, mais recentemente, e de forma ainda seletiva, a Amazon está oferecendo o Amazon Key. E o que viria ser isso? Nada mais é que uma fechadura inteligente, uma câmera de segurança e um aplicativo. Nada de novo, certo? Não é bem assim. Acontece que este produto está sendo oferecido como sua forma de permitir a entrega de produtos ou serviços em sua casa sem sua presença. Funciona assim: a Amazon tem acesso à sua fechadura eletrônica e pode permitir a entrada de terceiros em sua residência. Obviamente, estes terceiros estão devidamente cadastrados na Amazon e nada é feito sem sua permissão.

Como funciona? Imaginemos que você queira contratar de uma empresa o serviço de limpeza periódica de sua casa, mas você nunca está em casa para receber o funcionário. Você pode decidir confiar na empresa e deixar uma cópia da chave ou liberar uma senha da sua fechadura eletrônica. Você pode ainda instalar câmeras e sensores para acompanhar a movimentação e inibir qualquer atitude errada dos funcionários da empresa.

Ou você contrata o Amazon Key, recebe os equipamentos (fechadura e câmera), e a Amazon os instala de graça. Daí para frente, você contrata empresas de limpeza que estejam no cadastro da Amazon Key e deixa por conta deles! Eles gerenciam os horários e funcionários autorizados, liberam o acesso, registram os eventos e o deixam informado dos acontecimentos. Mais fácil, mais seguro e menos estressante!

Isto é o que podemos chamar de ecossistema Amazon: um conjunto de equipamentos, serviços e empresas oferecendo uma solução integrada para a compra direcionada de serviços e produtos. E de brinde você pode comandar os equipamentos inteligentes de sua casa.

O segredo deste ecossistema é criar um ambiente que seja propício a todos, fornecedores, consumidores e à própria Amazon.

Tudo começou com um site de compras onde ela se coloca muito mais como um canal de gerenciamento do que a fornecedora direta dos produtos. No site da Amazon você encontra uma quantidade gigantesca de produtos, fornecidos por diferentes empresas, com os mais variados preços e condições. Assim, se você mora em um país onde a Amazon está realmente presente (ainda não é o caso do Brasil), você pode ir a um único site procurar o que quer.

Com isso você ganha, pois pode achar as ofertas e as condições que mais o atraiam; o fornecedor ganha, pois se juntou a uma enorme estrutura de vendas; e a Amazon ganha, fazendo seu nome valer ainda mais, aumentando o seu cartel de clientes e, obviamente, cobrando comissões dos fornecedores.
Com a introdução do Amazon Echo, disfarçado de assistente virtual, a Amazon agora lhe oferece mais um canal para suas compras. Não só é um canal de acesso ao processo de compra como também será em breve um canal de compras automáticas, onde suas listas de compras e controle de estoque serão geridas pela inteligência artificial que a Amazon deverá oferecer em breve.

Falando em inteligência artificial, este tipo de processamento precisa de grande capacidade de processamento, não pode ser feito apenas localmente no Amazon Echo ou algum equipamento similar. Eis que aparece a AWS (Amazon Web Services), uma das opções de plataforma na Nuvem que existe hoje no mercado. O AWS é uma peça fundamental no ecossistema da Amazon, pois permite não só o processamento em alto nível como a integração entre todos os elementos do sistema, incluindo o que a Internet das Coisas vier a oferecer.

Acrescentemos o drone Amazon Prime Air e a fechadura Amazon Key e o ecossistema está completo, por enquanto.

Vejamos, então, quem é a Ring e porque chamou o interesse da Amazon.

Resumidamente, a Ring é uma das primeiras empresas a colocar no mercado uma vídeo-campainha inteligente. Esta campainha é na verdade uma câmera que se conecta ao aplicativo via WiFi, permitindo ao usuário visualizar e conversar com a pessoa que estiver à sua porta, mesmo que o usuário esteja do outro lado do mundo. A Ring não faz muito mais que isso. Se você quiser comandar a abertura da porta, terá que instalar uma fechadura inteligente e usar um outro aplicativo para isso.
Como todo novo produto no mercado, a Ring tinha algumas deficiências de concepção, como não ter uma campainha sonora (acionava apenas o sinal sonoro no aplicativo do celular) e depender de bateria para seu funcionamento, mas isso foi suplantado pela oferta de acessórios. Atualmente, existem muitos outros produtos similares no mercado.

Mas a Ring também oferece câmeras de segurança, o que permitiu que ela entrasse no mercado de vigilância eletrônica (não sendo uma das grandes neste mercado). Com isso, ela oferece um conceito misto de conforto com segurança, aproximando o produto do usuário mais que um sistema puramente de vigilância.

E porque a Amazon teria interesse em comprar a Ring e pagar bem caro (acima de um bilhão de dólares americanos)?

Se pensarmos que já existe uma base instalada da Ring, veremos que a Amazon tem uma oportunidade de expandir seu Amazon Key mais facilmente, já que basta acrescentar uma fechadura eletrônica (ou integrar alguma existente) para que este usuário seja potencialmente um fã do Amazon Key. Ou seja, clientes Ring, que já têm um espírito tecnológico, poderão se tornar clientes Amazon com mais facilidade. Se já tinham investido em produtos como o Amazon Echo, agora ficam na expectativa de uma maior integração: poder atender à porta diretamente pelo Alexa sem nem precisar pegar o celular, por exemplo.

Afinal, o que a Amazon quer é ser parte da vida do usuário, e ser o canal contínuo de consumo deste usuário. Ela quer abraçar o usuário, atendê-lo em praticamente tudo que ele precisar no seu dia-a-dia, tanto pela venda pontual quanto pela prestação continuada de serviços.

Mas, no fundo, é o que todos os grandes fornecedores de assistentes virtuais querem; a Amazon pode estar na frente, mas logo veremos a reação de seus concorrentes, como a Google e a Microsoft.