Quem mora em uma Casa Inteligente?

Neste artigo publicado na edição 164 da revista Audio Video, Design e Tecnologia nosso diretor tecnico George Wootton discorre sobre a importancia de utilizar os recursos tecnológicos disponiveis para garantir segurança, privacidade e conforto principalmente para idosos que precisam morar sozinhos.

Uma abordagem especial e um tema emergente, presente em variadas áreas do conhecimento e que se aproxima a cada dia também das chamadas "casas inteligentes"

A integra do artigo pode ser baixada neste link . Boa leitura! 

Automação Residencial: 4 aspectos para melhorar em 2019

Fonte:www.trustedreviews.com 

2018 foi um ano importante para a casa inteligente, com os avanços na forma como você pode gerenciar vários dispositivos. Vimos que o Amazon Alexa e o Assistente do Google oferecem o controle de dispositivos por meio de comandos de voz. Assim, basta dizer "acenda a luz" e faça com que seu sistema entenda o que você quer dizer. O Apple HomeKit também viu melhorias, com um melhor manuseio por meio do aplicativo, além do controle por voz através do excelente HomePod. No entanto, ainda não chegamos lá. Quando olhamos para o novo ano, aqui estão quatro maneiras pelas quais a casa inteligente precisa melhorar em 2019.

1. Mais interoperabilidade
Se quiser que todos os seus dispositivos domésticos inteligentes sejam controlados por meio de uma única interface, você está sem sorte. O suporte para o Apple Home, SmartThings, Alexa e Google Home varia, sem um único sistema que ofereça suporte em todos os dispositivos.

Além disso, agora existem casos em que as empresas ainda não oferecem suporte. Pegue o termostado Nest E, por exemplo, que foi lançado sem o suporte do Amazon Alexa sem um bom motivo. O Google também não suporta o Apple HomeKit para nenhum dispositivo Nest.

Para que a casa inteligente continue a crescer, é preciso ter um suporte mais amplo para os dispositivos dos principais sistemas de voz e melhores maneiras de os dispositivos conversarem entre si.

2. Automação mais fácil
O próximo estágio de uma casa inteligente é a automação, como ter luzes acesas automaticamente à noite quando você abre a porta da frente ou desliga tudo quando sai. Embora seja possível configurar esse nível de controle agora, nem sempre é fácil.

Com o SmartThings, por exemplo, a configuração de diferentes automações com base na hora do dia exige que você crie vários modos primeiro e depois crie regras adicionais de forma mais elaborada. É um bom quebra-cabeça para obter os passos certos....

A Amazon está impulsionando as rotinas do Alexa com o controle de localização, o que poderia melhorar as coisas aqui, mas o sistema não tem o mesmo nível de controle disponível em todos os lugares.

3. Controles de terceiros mais confiáveis
Dispositivos de terceiros usados ​​para controlar a casa inteligente nem sempre funcionam tão bem quanto você espera. Por exemplo, você pode pedir ao Alexa para acender suas luzes apenas para descobrir que ele está lá, com a luz azul girando antes de falhar; uma segunda tentativa geralmente funcionará.

Da mesma forma, há momentos em que é mais fácil alcançar e tocar em um botão do que usar sua voz ou um aplicativo. No entanto, poucos sistemas têm controles físicos - a Philips Hue é a exceção notável. Opções de terceiros, como o Flic Hub ou o Logitech Pop, fornecem botões físicos, mas nem sempre são confiáveis ​​e eu tive situações em que, nem todas as luzes da Hue são ativadas ou uma opção inteligente pode demorar a responder.

Parte do problema é que os dispositivos de terceiros precisam controlar remotamente um dispositivo doméstico inteligente ou alternar por meio de uma API, que tende a ser menos confiável do que o método direto usado pelo aplicativo oficial.

A abertura de sistemas para terceiros pode melhorar drasticamente a confiabilidade dos botões, dando a você mais confiança para alternar os controles com fio para os sem fio.

4. Manutenção mais inteligente
A casa inteligente não deve ser apenas sobre dispositivos de controle; Ele também deve fornecer mais informações para lidar com a manutenção. A LG já tem o ThinQ integrado em alguns de seus aparelhos de última geração, com o sistema para notificá-lo de qualquer problema - sua geladeira não está resfriando adequadamente, por exemplo.

Precisamos ter mais disso, com sensores observando e monitorando nossos eletrodomésticos e nos informando de problemas antes que eles se tornem fatais. Esse tipo de manutenção preditiva pode acelerar os reparos, com o pessoal de serviço pronto para obter as peças corretas imediatamente.

Existem fornecedores de aquecedores que usam a interface digital do equipamento para obter informações para fins de manutenção. Por exemplo, detectar que a eficiência caiu em uma caldeira pode ajudá-lo a resolver um problema antes que a caldeira pare completamente.


O que pode ser feito para dinamizar o mercado de Automação Residencial no Brasil?

Por José Roberto Muratori, diretor executivo da AURESIDE
Publicado na revista Lumiere Electric de novembro de 2018

Em diferentes situações e com enfoques distintos, já abordamos este tema em alguns artigos anteriores. Mas a evolução rápida tanto da tecnologia como dos novos conceitos de moradia nas áreas urbanas nos faz refletir constantemente sobre a questão. Então, pretendemos neste artigo buscar caminhos alternativos para desenvolver novas ideias e promover discussões envolvendo variados pontos de vista.

Sobre os custos

Em geral, sistemas de automação residencial trazem à primeira vista uma ideia de soluções caras e até inacessíveis. Embora esta realidade tenha sido alterada nos últimos tempos, a percepção ainda permanece no pensamento coletivo. Dispomos de cálculos bem fundamentados que mostram uma redução superior a 50% nos custos destes sistemas nos últimos cinco anos. Após do advento das soluções “mobiles” como tablets e smartphones e da presença cada vez mais intensa da Internet nas casas era de se esperar este resultado. Ou seja, um mesmo projeto executado hoje custaria metade do preço daquele de cinco anos atrás e ainda teria como adicional toda a mobilidade e interatividade atualmente disponível.

Mas esta informação não chega com a devida velocidade e intensidade aos usuários... Portanto esta é uma informação quase “invisível” ainda e precisa ser divulgada mais intensivamente pelos influenciadores, tais como construtores, arquitetos, agentes imobiliários e integradores.

Sobre as dificuldades no uso

Muitos moradores imaginam que seria difícil utilizar sistemas de automação em suas residências, pois isto implicaria ter conhecimentos avançados de programação ou de eletrônica e assim por diante. Esta é outra falácia que precisa ser demonstrada de forma prática. Hoje o desenho de templates, o uso de simples botões nas paredes ou controles remotos podem tornar as tarefas domésticas muito intuitivas e fáceis. Projetos de automação bem conceituados conseguem integrar sistemas tão diferentes quanto controle de iluminação, climatização, som ambiente, câmeras, abertura de portas e muitos outros de uma forma que a sua operação simultânea ou separada se torna prática e intuitiva mesmo para moradores com pouca intimidade com a tecnologia.

A maioria de nós já consegue utilizar aplicativos dos mais diversos e em diferentes situações, seja para deslocamentos no transito, para saber a previsão do tempo, para buscar serviços, encontrar amigos e assim por diante. Por que ainda não nos acostumamos a “conversar” com as nossas casas seja de dentro delas ou a distancia? Pensem quantas informações válidas poderiam ser obtidas, operadas e gerenciadas com um simples toque na tela de um smartphone... Não estaria na hora de colocarmos nossas casas no século 21?

Sobre o funcionamento

Muitos de nós ainda não tivemos contato direto com estas tecnologias. Sem poder “tocar” um produto ou solução  como podemos saber se ele nos será útil e, além disso, funcional? Será que nos causará problemas (e custos) de manutenção além do que previmos? Ficaremos reféns de empresas ou profissionais que aproveitarão nossa ignorância para, de alguma forma, nos explorar? Estas são questões inevitáveis com qualquer novidade, mas se tornam mais acentuadas em situações que envolvem maiores investimentos e prestadores de serviço desconhecidos.

E como isto poderia ser contornado? Ainda são escassos os espaços destinados á “experimentação”, como showrooms e apartamentos decorados. Temos visto soluções muito interessantes implantadas em lojas de decoração, de iluminação, de material elétrico, ateliers de arquitetura e salas de reunião. Portanto, mesmo sem a presença massiva de espaços exclusivos para demonstração de sistemas de automação residencial, a sua presença em ambientes alternativos, mas que também são visitados por potenciais compradores tem se tornado um grande facilitador para tomada de decisão de compra. Isto, logicamente, implica em parcerias comprometidas que envolvem diferentes agentes, mas onde todos podem alcançar ótimos resultados, cada qual na sua atividade fim.

Sobre acesso à informação

O mercado de automação residencial traz certa peculiaridade. Os fabricantes e distribuidores dos produtos e soluções não fazem venda direta aos clientes finais. Normalmente se valem de “integradores certificados”, ou seja, profissionais ou empresas especializadas que devem projetar, especificar e instalar os equipamentos nas casas dos seus clientes. E, normalmente, estes integradores são empresas de pequeno porte, muito focadas nas atividades técnicas acima citadas. Assim, na pratica, não existem muitos canais de divulgação ampla, pois o marketing é “boca a boca”, sem a participação dos maiores players que seriam os fabricantes e poderiam ter um acesso maior aos canais disponíveis.

O resultado é uma quantidade ainda limitada de informação, seja através de mídia impressa, digital ou mesmo de eventos voltados ao cliente final onde ele pudesse obter informações importantes para sua tomada de decisão: tipos de sistemas e de infraestrutura de obra, facilidades de uso, busca de profissionais e assim por diante
Neste sentido, algumas iniciativas da própria AURESIDE têm procurado sanar parte destas dificuldades. Em alguns eventos já temos visto a participação, ainda tímida, mas crescente de potenciais clientes, desenvolvemos alguns blogs e divulgamos artigos (como este por sinal) que procuram impulsionar o tema, mas com a principal intenção de que as informações cheguem de forma mais rápida e consistente ao cliente final.

Neste quesito, toda colaboração obtida dos diversos agentes de fomento será benvinda e utilizada prontamente!

Conclusão

Nesta breve abordagem procuramos concentrar as principais dificuldades que ainda impedem um rápido crescimento do mercado de automação residencial no Brasil. Em números comparativos, países como Estados Unidos e outros da Europa Ocidental exibem estatísticas que mostram um percentual entre 15 e 20 por cento de “casas inteligentes”. 

No Brasil ainda não atingimos nem um por cento do total de mais de 60 milhões de casas... Portanto temos um potencial enorme para atingir números expressivos nos próximos anos. Propomos então unir forças para conseguir estes resultados que seriam desejáveis não somente para as empresas interessadas mas principalmente para melhorar a qualidade de vida dos moradores.